Neste mês muito vai se falar sobre o suicídio. De fato, esse assunto precisa deixar de ser um tabu para se tornar de conhecimento de todos. A fim de aumentar a aceitação e o apoio àqueles que estão pensando em suicídio e aos parentes e amigos que perderam algum ente querido desta forma. E também promover a redução do preconceito e julgamento relacionado a esses casos.

Neste texto vamos falar daquilo que acontece antes do suicídio. Vamos falar daquilo que pode fazer com que a pessoa comece a pensar no suicídio.

Esse passo atrás é fundamental para evitar que a situação se agrave e que assim possamos cuidar com antecedência para evitar o suicídio.

A solidão é sentimento que costuma doer muito nas pessoas, e suscita algumas outras compreensões que se relacionam com a baixa autoestima, com a introspecção. Pessoas que se sentem sozinhas, podem se sentir abandonas, sem importância, não amadas e não queridas pelos outros. Podem passar a acreditar que não possuem nada de positivo, nada de bom que leve os outros a quererem estar com ela. E acreditando nisso, tendem a se afastar do convívio, a não buscar as pessoas, a evitar convites, intensificando o isolamento. Não pedem ajuda, e podem se ver em uma imenso vazio sem sentido. Como será que é viver assim? Algumas pessoas preferem não viver.

O preconceito também é um grande responsável por parte dos suicídios cometidos. Não ser aceito como somos provoca sentimento de inadequação e desajuste. Muitas pessoas tentam se corrigir para se encaixar nas exigências da família, da religião ou da sociedade. As vezes não conseguem se adequar e nem sentir-se bem consigo mesmas. Acaba sendo um desajuste total. O preconceito é um ato de violência, ainda que não seja fisicamente violento, ele acaba desvalorizando a pessoa, diminuindo aquilo que ela é. É uma violência emocional e psicológica, é destrutiva, silenciosa e quase invisível.

Sofrer violência física, abusos sexuais, assédio moral, repressão emocional são muito comuns na sociedade e muitas vezes passam desapercebidas pelos nossos olhos. Fiquem atentos. Não há quem consiga ser forte o tempo todo. Se você presencia esse tipo de coisa, dê apoio a vítima, defenda, proteja, tome as medidas necessárias para ampara-la no sofrimento. Quando fazemos por menos, tratamos como coisa corriqueira, banal, ou que simplesmente “vai passar” estamos sendo permitindo que tenha continuidade e deixamos a pessoa sozinha, refém das ofensas.

Problemas financeiros, falência, perda de investimentos são mudanças, geralmente, drásticas e que causam desespero. Nesses casos as pessoas dificilmente conseguem enxergar uma solução para seus problemas. Muitas vezes acarreta perda no status social, sendo necessário mudar o estilo de vida, retirando da família coisas que antes pareciam essenciais. Quando a pessoa se vê diante desse abismo, saltar pode ser o alívio imediato para a angustia e sofrimento.

Problemas de saúde limitantes, incuráveis ou que causem muita dor constantemente fazem a pessoa questionar o quanto ela suporta continuar vivendo assim. Pois a qualidade de vida fica bastante prejudicada, a autonomia e a independência são comprometidas. A pessoa passa por mudanças que a transformam, e essa transformação pode ser tão prejudicial que ela deixa de se reconhecer em si mesma, nesse momento. É comum que muitos pacientes pensem sobre como gostariam de morrer, e esse pensamento é como um sublime alívio de seu calvário.

Com tantas situações como essas acontecendo a nossa volta todos os dias, não podemos falar apenas de suicídio, não podemos falar somente em setembro. O suicídio acontece uma vez na vida de alguém, mas o suicídio foi construído, foi pensado antes disso. Prevenção é o melhor remédio.